
Escutas e Travessias
Psicologia Neuroafirmativa
para quem nunca se encaixou — e não quer mais tentar
Vem. As águas já sabem o seu nome.
Carta do Mar — Para quem chega
Eu sou o Mar e eu vejo você.
Vejo a sua ânsia por um lugar seguro para estar simplesmente — respirar, sentir a brisa, e apenas ser.
Um diário de bordo em português — reflexões, leituras que me acompanharam, ensaios curtos e o aviso quando entra material novo no espaço. As cartas, mais contemplativas, continuam no Substack.

O Escutas e Travessias não é uma adaptação. É o lugar que busquei a vida inteira e não encontrei — então o construí do zero. Falo daqui: como autista com TDAH, como neuropsicóloga, como mãe atípica. A partir de — décadas depois, dentro de uma profissão que estuda exatamente isso.
Este espaço foi construído principalmente para pessoas neurodivergentes — e para quem as acompanha de perto. Mas existe para qualquer um que se reconheça nessas palavras: inadequado, sobrecarregado, perdido, buscando. Para quem passou anos acreditando ser o problema — antes de entender que às vezes é .
As Travessias são processos psicoeducativos — curtos, focados, individuais — de orientação , para amenizar o sofrimento que vem de ser neurodivergente, de ter um laudo sem saber o que fazer com ele, ou de acompanhar alguém que é.
Uso o feminino neste espaço — uma escolha de quem trabalhou décadas com mais professoras do que professores e mais mães do que pais. Não é exclusão. O Escutas é neuroafirmativo e acolhe qualquer identidade de gênero.
Por onde começar
Veja qual seção ressoa com você agora.
Cada seção foi criada para um momento específico. Em algumas, há uma Travessia — um processo individual com início, encontros e uma devolutiva concreta.
Escutas e Travessias nasce do reconhecimento de que cada pessoa possui um modo singular de existir, sentir e organizar a vida.
Nem toda experiência humana cabe em modelos normativos de funcionamento. Há pessoas que vivem o mundo de maneira mais intensa, sensorial, fragmentada, não linear ou profunda — é outro modo de estar.
Este é um espaço construído a partir de uma perspectiva neuroafirmativa, que entende diferenças neurológicas como formas legítimas de existência, e não como falhas a serem corrigidas.
A experiência humana, porém, não é apenas cognitiva. Corpo, emoções, memória, linguagem, ambiente e afetos participam continuamente da forma como cada pessoa vive a si mesma.
Por isso, este não é um espaço baseado em dependência — nem na ideia de que alguém precise entregar a própria experiência para que outra pessoa a interprete por completo.
Escutas e Travessias foi pensado como um território de presença, linguagem, ferramentas, reflexões e percursos que favoreçam o desenvolvimento de intimidade com a própria experiência.
Há caminhos autoguiados, textos, exercícios, pausas e ferramentas que convidam cada pessoa a construir sua própria relação com aquilo que vive. A psicoterapia e a avaliação psicológica existem aqui como possibilidades importantes — mas não como centro ao redor do qual tudo precisa girar.
O centro é a experiência viva da pessoa consigo mesma.
Este espaço acredita que cuidado também pode nascer da autonomia, da autoescuta e da criação de condições onde a vida circule com menos violência e mais presença.
Porque, às vezes, o que alguém mais precisa não é que lhe digam quem é.
É encontrar espaço suficiente para reconhecer a própria experiência — sem precisar se violentar para caber em uma forma única de existir.
O mar como metáfora
O Escutas e Travessias parte de uma metáfora do mar.
Cada espaço tem um nome próprio e aponta para um campo de experiência — mas não funciona como uma divisão rígida. Não há uma ordem única. Você pode começar por onde quiser, voltar, atravessar de novo.
A forma como você percorre esse território também é uma travessia.
Os territórios
A Enseada
A Enseada foi pensada como uma porta de entrada possível.
O nome traz a ideia de um espaço mais protegido, pequeno, de águas mansas. É ali que começamos pelo corpo, pela sensorialidade, pelo contato mais imediato consigo.
O Espelho-d'Água
O Espelho-d'Água é aquele momento em que o mar reflete o céu — e isso sempre acalmou o meu coração.
Falamos de reconhecimento tardio, das máscaras que sustentamos por anos e das formas possíveis de reencontro.
A base é a neurodivergência, mas esse processo não se limita a ela. Ele diz respeito a qualquer pessoa que, em algum momento, precisou se esconder para caber em um modelo de normalidade.
As Marés
As Marés falam de ciclos, ritmos e organização da vida.
Partem do TDAH, mas se abrem para qualquer pessoa que enfrente dificuldades com memória, rotina e gestão do tempo.
A Correnteza
A Correnteza guarda o que considero um dos pontos centrais do trabalho: o mapeamento neuropsicológico.
Um processo de escuta atenta para compreender como cada pessoa funciona — e construir estratégias possíveis para o seu cotidiano.
A correnteza é o movimento invisível que organiza o mar. Observá-la é uma forma de reconhecer como o seu funcionamento se organiza por dentro.
A Praia
A Praia é o espaço das infâncias.
Ali estão materiais para a criança e para quem cuida.
O Costão
O Costão é o lugar de onde se enxerga longe — e onde nem sempre há companhia para o que se vê.
É o espaço sobre altas habilidades e superdotação lidas em chave neuroafirmativa: não como dom isolado, mas como modo de existir que foi inicialmente recompensado — até deixar de ser sustentável.
O tema carrega uma camada espessa de estereótipos — a criança prodígio, o talento raro, a inteligência que resolve tudo. Esses mitos raramente se confirmam. E a distância entre o que os outros esperam e o que a vida realmente é pode causar um sofrimento que demora muito a encontrar nome.
Cada território tem o seu rancho.
Em praias de pescadores, o rancho é a construção à beira d'água onde ficam os remos, as redes, o diesel, as boias. Não é elegante. É necessário.
Em cada seção do Escutas há um rancho próprio — e dentro dele: cards, workbooks, guias, instrumentos, cartas, materiais para levar. Não substituem a travessia — mas tornam o percurso mais possível.
O acervo está em movimento constante. Sempre há algo novo sendo adicionado.
Acessar a biblioteca de materiais →A travessia é sua.
As Travessias
caminhos digitais autoguiados e processos personalizados, organizados por tema, com começo, meio e fim
Se os territórios são o mar, as Travessias são os caminhos possíveis dentro dele.
Como surgiram
As Travessias foram se construindo a partir de uma constatação clínica: a terapia tradicional nem sempre dá conta das demandas concretas do cotidiano de pessoas neurodivergentes.
Havia uma necessidade de outro tipo de trabalho — voltado ao mapeamento do funcionamento individual e à construção de estratégias possíveis para cada vida específica.
O ponto de virada
Um processo longo de burnout tornou isso incontornável.
"Não foi mais sobre observar de fora. Foi sobre viver, no próprio corpo, limitações concretas — e precisar encontrar formas reais de existir dentro delas."
A experiência como fundamento

A proposta
São processos curtos e focados.
- —
partem de problemas reais
- —
são organizadas por temas
- —
têm começo, meio e fim
- —
são independentes entre si
Você pode escolher uma, repetir, ou atravessar várias.
Cada uma é um ciclo completo.
A perspectiva que sustenta tudo isso
Psicologia neuroafirmativa
Não é técnica nem modismo conceitual. É uma posição ética: escutar sem a intenção oculta de corrigir, e recusar a adaptação a qualquer custo como critério de saúde. Esta é a lente que organiza todas as linhas editoriais do site.
Para além das Travessias
As Travessias são o coração do Escutas. Mas há outros modos de entrar — ou de ir mais fundo.
Há avaliação neuropsicológica, para quem precisa de clareza sobre o próprio funcionamento. Há psicoterapia individual, para quem quer um acompanhamento mais longo.

O Farol
Avaliação neuropsicológica
Um farol não remove os recifes — mostra onde eles estão.
A avaliação neuropsicológica funciona assim: não elimina aquilo que é difícil, mas ilumina o terreno com precisão suficiente para que a pessoa — e quem a acompanha — possa se orientar.
A avaliação neuropsicológica investiga como funções como atenção, memória, linguagem, funções executivas e habilidades visuoespaciais se organizam em uma pessoa específica, mapeando tanto potencialidades quanto dificuldades.
Para mim, esse é antes de tudo um processo de raciocínio clínico. Os resultados são compreendidos em conjunto, articulados às observações diretas e ancorados na história de vida de quem está sendo avaliado. Décadas de atuação na psicologia clínica em vários contextos atravessam esse olhar — inclusive na percepção daquilo que os testes, sozinhos, não conseguem captar.
A avaliação aqui não funciona como triagem de déficits nem como busca apressada por categorias diagnósticas. Trata-se de uma leitura do funcionamento: o que sustenta, o que sobrecarrega, o que interrompe processos, o que pede cuidado e o que pode ser fortalecido. Os instrumentos existem a serviço dessa compreensão. Não produzem respostas isoladamente.
Existe ainda uma distinção importante, frequentemente esquecida: a CID é uma classificação diagnóstica. A avaliação neuropsicológica é um processo muito mais amplo. Ela busca compreender modos de funcionamento, recursos internos, fragilidades, formas de adaptação, padrões relacionais e singularidades que não podem ser reduzidos a um código classificatório.
A avaliação pode ser ampla ou focal, dependendo da demanda apresentada. A entrevista inicial ajuda a delimitar o que faz sentido investigar em cada caso. O processo sempre inclui devolutiva e relatório escrito.
A devolutiva não é uma simples entrega de resultados. É um encontro no qual aquilo que foi encontrado pode ganhar sentido junto com a pessoa. E, muitas vezes, esse momento produz impactos maiores do que se imaginava no início do processo.
Como entendo o psicodiagnóstico
A avaliação como processo clínico
Autores brasileiros e latino-americanos como Walter Trinca, Jurema Alcides Cunha, Maria Luiza L. Tardivo, Marília Ancona-Lopez e Ocampo & Arzeno compreendem o psicodiagnóstico como um processo clínico em si mesmo — não apenas como instrumento de classificação, mas como espaço de escuta, elaboração e compreensão.
Nessa perspectiva, a avaliação não se reduz à produção de um diagnóstico. O processo pode ser terapêutico e, em muitos casos, também interventivo.
A avaliação aqui não é considerada importante apenas pelo laudo que produz, mas pelo que acontece com a pessoa enquanto está sendo avaliada.
Muitas vezes, o primeiro efeito transformador não surge da conclusão final, mas da possibilidade de ser escutada de maneira organizada, cuidadosa e clinicamente sustentada.
O que resulta da avaliação
Mais do que um laudo
O laudo técnico é necessário. Ele organiza informações importantes para médicos, escolas, perícias e outros profissionais envolvidos no acompanhamento.
Mas, sozinho, costuma ajudar pouco a própria pessoa avaliada.
Com frequência, vejo pessoas saindo de avaliações com um documento técnico nas mãos e muitas perguntas ainda abertas:
"O que faço com isso agora?"
"Como isso aparece na minha vida?"
"O que pode me ajudar daqui para frente?"
Por isso, o que resulta da avaliação aqui não é apenas um laudo.
Toda avaliação inclui obrigatoriamente:
- —laudo técnico formal;
- —devolutiva clínica;
- —orientação sobre encaminhamentos e próximos passos quando necessário.
A pessoa avaliada sempre recebe uma cópia do laudo. O compartilhamento com escola, médicos, perícia ou outros profissionais é discutido em conjunto, conforme a demanda inicial e os objetivos do processo.
Documentos complementares
Adaptados à demanda
Dependendo da demanda e do que emerge ao longo da avaliação, podem ser produzidos também documentos complementares:
Devolutiva escrita
Material em linguagem acessível, pensado para que a pessoa ou sua família possam reler o processo com calma posteriormente.
Plano de recomendações
Organização prática e hierarquizada de estratégias, encaminhamentos e prioridades. Não se trata de uma lista genérica de sugestões, mas de uma construção baseada no funcionamento específico identificado na avaliação.
A linguagem utilizada varia conforme o destinatário. O que é escrito para uma equipe técnica não é o mesmo que será escrito para a família ou para a escola.
Documentos não são intercambiáveis: aquilo que é útil em um contexto pode ser inadequado ou até produzir efeitos indesejados em outro.
Continuidade do cuidado
Quando faz sentido, indico caminhos
Quando faz sentido para o caso, também indico materiais gratuitos do próprio Escutas e Travessias e leituras que possam ajudar a pessoa a aprofundar aquilo que surgiu durante o processo avaliativo.
Esses materiais não substituem acompanhamento clínico. Funcionam como possibilidades de continuidade, elaboração e ampliação da compreensão construída ao longo da avaliação.
Protocolo de aceite
Antes de iniciar o processo
Antes de qualquer decisão sobre seguir ou não com a avaliação, realizamos uma conversa inicial gratuita.
Esse encontro existe para compreender a demanda, esclarecer dúvidas e discutir, de forma honesta, os limites e possibilidades do processo avaliativo.
Um laudo neuropsicológico pode ser extremamente importante — clínica, subjetiva e institucionalmente. Mas ele não funciona como garantia automática de reconhecimento.
Dependendo do contexto, um laudo pode ser questionado por escolas, recusado em perícias, reinterpretado por outros profissionais ou atravessado por disputas institucionais e diferenças teóricas.
Isso não significa, necessariamente, falha técnica da avaliação. Significa também reconhecer como determinados sistemas operam na prática.
Por isso, antes de iniciar o processo, buscamos esclarecer:
- —para que o laudo está sendo solicitado;
- —o que ele pode ou não sustentar naquele contexto específico;
- —se a avaliação é, de fato, o caminho mais útil naquele momento.
Em alguns casos, outras possibilidades podem responder melhor à demanda apresentada, como:
- —releitura técnica de laudo anterior;
- —devolutiva clínica refeita;
- —orientação sobre direitos;
- —psicoeducação;
- —suporte clínico e organizacional.
Sobre reavaliações
Quando a procura envolve reavaliação, o laudo anterior é lido integralmente antes de qualquer aceite.
Nem toda reavaliação é necessária.
Quando o laudo anterior é tecnicamente consistente, ético e clinicamente bem fundamentado, uma nova avaliação pode não ser o melhor caminho. Em muitos casos, o que faltou não foi um novo processo diagnóstico, mas espaço de compreensão, elaboração ou orientação posterior.
Recusa ética não significa abandono. Significa indicar o caminho que parece mais cuidadoso, coerente e clinicamente responsável para aquela situação.
Online, por videochamada
Avaliação de adultos
A maioria das pessoas que chega aqui vem com uma desconfiança específica — TEA, TDAH, AuDHD, às vezes AHSD. Diagnóstico desses quadros segue sendo clínico, em primeiro lugar: não há teste que feche TEA ou TDAH preto-no-branco. Os instrumentos entram para ajudar a ler e fazer descarte do que não cabe.
O processo começa por uma entrevista clínica inicial semi-estruturada, online, por videochamada com compartilhamento de tela. Nela mapeamos a queixa, a história, as possibilidades — e definimos o escopo da avaliação.
A partir dela, parto de uma bateria inicial pequena, com instrumentos validados em apresentação online. Conforme o que aparece, sigo aprofundando — só o caminho que se revela necessário. Tenho um acervo amplo de instrumentos validados (autismo, TDAH, camuflagem, alexitimia, ansiedade social, burnout, executivas, perfil cognitivo) e escolho caso a caso.
Os instrumentos são apresentados um a um, com possíveis pausas se necessárias. A clínica acontece também na leitura corporal — tensão, fadiga, irritação a um item, literalidade na resposta são dados clínicos primários, junto com a pontuação.
O princípio é o mesmo da clínica geral: na dor aguda, o médico investiga o que está pesando, não pede trinta exames. No check-up, sim — mas raramente é o que a pessoa precisa quando chega com sofrimento real. Avaliação focada respeita tempo e dinheiro da pessoa, e protege contra mal-interpretação — porque a maioria dos testes foi padronizada para o funcionamento neurotípico, ou seja, o funcionamento da maior parte da população. Medir alguém autista por uma régua que não foi feita para ele abre espaço para erro.
Se os instrumentos iniciais não trazem nada que mereça aprofundamento, paramos por aí. Não medimos o que não precisa ser medido.
Presencial, em Florianópolis
Avaliação de crianças
Avaliar criança não é avaliar adulto em escala menor. Pede outra postura, outro espaço, outro manejo. Tempo diferente, leitura clínica diferente, presença diferente.
Esse jeito de trabalhar com crianças vem de uma — clínica desde 1984, chão de saúde pública, anos de formação de professores em escolas do campo, e maternidade atípica.
Como o trabalho acontece
A maioria das crianças chega com suspeita de TEA, TDAH ou ambos. Para esses quadros, segue a mesma lógica que aplico com adultos — avaliação focada, bateria mínima necessária, diagnóstico clínico em primeiro lugar. A experiência longa permite reconhecer rapidamente, e isso significa avaliação mais densa em menos tempo de aplicação. Não é atalho — é leitura clínica acumulada.
Quando aparece questão de inteligência, o processo é mais longo. Instrumentos mais estruturados (WISC, Columbia, outros) exigem mais sessões de aplicação, correção e integração. Entra quando o caso pede, não preventivamente.
Linguagem não é meu território. Quando há sinal nessa direção, encaminho para fonoaudiologia — área específica que necessita de um profissional especializado.
Avaliação em ambiente domiciliar
Para algumas crianças, o consultório não é o lugar onde o funcionamento real aparece. Crianças pequenas; crianças com dificuldade intensa de sair de casa; crianças que conseguem sair (escola, mercado, consulta) mas chegam ao ambiente novo já desreguladas — comum em crianças autistas. Nesses casos, o ambiente desconhecido interfere no que é possível observar. O que se vê no consultório é o funcionamento num ambiente novo — não o funcionamento real.
A visita domiciliar inverte essa lógica. Em casa, a criança está no seu território. Material clínico de outra natureza emerge: mais espontâneo, mais revelador. Em uma ou duas visitas, é possível observar o que no consultório poderia levar muitas sessões — e ainda assim talvez não aparecer.
A visita domiciliar é uma prática clínica. Já realizei algumas avaliações nesse formato ao longo dos anos, e por isso ela faz parte do que ofereço no Escutas e Travessias.
Florianópolis e região, presencial. Em situações excepcionais, outros municípios — com despesas de deslocamento por conta da família.
Sobre vagas: atender criança presencial exige condições específicas de tempo e disponibilidade. Por isso a agenda comporta um número limitado de avaliações infantis simultâneas. Quando está cheia, há lista de espera; o contato é feito assim que houver disponibilidade.
Reorientação Diagnóstica
A linguagem clínica costuma fragmentar o quadro em diagnósticos separados — condições que coexistem. É uma forma legítima de organizar achados. Mas quando a pessoa é neurodivergente, parte do que os testes capturam pode ser como ela manifesta o próprio funcionamento neurodivergente — sobretudo quando essa possibilidade não estava no horizonte de quem avaliou.
A Reorientação Diagnóstica não refaz os testes nem questiona os achados. Faz uma releitura a partir de uma lente que considera o funcionamento neurodivergente: o que aqueles resultados significam quando lidos assim, o que permanece igual, o que se reinterpreta, qual é o próximo passo mais útil. Para adultos e famílias que chegam com laudo em mãos e perguntas que ele não respondeu.
Escuta
História, laudo, contexto — o que chegou e o que ficou
Elaboração
Releitura dos dados com lente neuroafirmativa
Devolutiva
O que muda na leitura e qual é o próximo passo
O que acontece depois
Uma avaliação neuropsicológica — qualquer que seja — não é ponto final. É ponto de partida. O que vem depois é o trabalho de fazer sentido do que foi mapeado: como comunicar à escola, como reorganizar rotina, como sustentar o cotidiano com o que se compreendeu.
O que você precisaria que fosse diferente?
O Escutas e Travessias pensa todo esse processo, não só o laudo. Os materiais da Biblioteca seguem disponíveis para leitura no próprio tempo, como apoio fora do encontro.
Carta do Mar — Para quem atravessa
Sou o Mar, e falo agora com quem está no meio do caminho. Nem mais no cais, nem ainda na outra margem.
Psicoterapia
Psicoterapia clínica.
O trabalho começa não pelo diagnóstico, mas pela pergunta: o que você precisaria que fosse diferente?
Sessão Individual
Psicoterapia clínica
online · CRP 12/01849
Quem chega aqui geralmente vem de:
- Um diagnóstico que desestabilizou mais do que orientou — que nomeou déficits sem descrever a pessoa, ou que chegou sem o cuidado que merecia.
- Anos percorrendo consultórios, cada um com uma leitura diferente, nenhuma que ficou — e o reconhecimento crescente de que talvez haja um funcionamento neurodivergente que nunca foi investigado com cuidado.
- Um diagnóstico que tem fundamento — transtorno de personalidade, por exemplo — mas que precisava de uma escuta que a maioria dos clínicos não ofereceu.
O trabalho começa pelo que a pessoa traz — não pelo código que recebeu. Às vezes o processo culmina numa nova avaliação ou num relatório complementar. Às vezes é compreender o que aquilo significa para a vida que se tem.
O cuidado em camadas
Por que o cuidado pede mais de uma camada quando você é neurodivergente
Pessoas neurodivergentes vivem em sistemas nervosos que respondem ao mundo em alta sensibilidade. Cheiros, sons, texturas, alimentos, sono, hormônios — tudo entra com mais força. A clínica neuropsicológica pode mapear isso e construir estratégias. Estratégia sem suporte corporal, porém, raramente sustenta.
Quem é neurodivergente geralmente precisa, além da terapia e do acompanhamento médico, alguma combinação de:
- Suporte nutricional — ajustes alimentares que dialogam com sensibilidade e seletividade, identificação de deficiências e inflamação. Não é dieta de revista — é leitura do corpo específico de cada pessoa.
- Suporte sensorial-corporal — práticas que trabalham diretamente o sistema nervoso através do corpo: aroma, auriculoterapia, toque, ritmo. Não substituem clínica — ampliam o repertório de regulação.
Trabalhei muitos anos no SUS, em equipes interdisciplinares, e aprendi: quando o problema é no corpo, nenhuma estratégia cognitiva resolve sozinha.
Conheça os profissionais que indico →Scheilla Soares — psicóloga e neuropsicóloga CRP 12/01849
Escutas e Travessias — Psicologia Neuroafirmativa
Cartas da Travessia
Escrevo cartas desde os doze anos. Cartas são, para mim, a forma mais honesta de pensar.
Relutei em tornar públicas as minhas cartas. Mas aprendi que honrar o que recebemos é também compartilhar.
ago 21, 2025
Carta do Recomeço
dez 2, 2025
Carta a uma amiga que tem mil sonhos e uma casa para limpar
Leia devagar. Talvez alguma reconheça você primeiro. Talvez outra espere por você adiante.
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Outros lugares onde o Escutas respira
Cartas escritas, conversas em áudio, vídeos curtos, leituras de autores. Cada formato é uma linguagem diferente do mesmo trabalho.
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