Escutas e Travessias

um lugar para respirar, pertencer e existir com beleza

"Há caminhos que não começam com passos, mas com silêncio."
Praia ao pôr do sol com areia rosa e água turquesa

O Escutas e Travessias nasceu de um olhar para a finitude.

Em 2024, um exame revelou alterações que mudaram minha relação com o tempo. A primeira coisa que pensei foi: tudo o que eu sei vai morrer comigo. Não havia mais como esperar a aposentadoria. Era agora.

Sou Scheilla Soares — psicóloga, neuropsicóloga, pedagoga e mestre em Educação. Durante mais de três décadas trabalhei na intersecção entre Psicologia e Educação Especial — em escolas, postos de saúde, APAEs, Conselhos Tutelares, universidade. Mas sempre me senti deslocada. Não cabia em nenhuma linha, não correspondia a nenhum modelo.

Só entendi por quê quando me reconheci como pessoa neurodivergente. Essa descoberta, que chegou tarde, devolveu-me uma voz que eu não sabia que tinha perdido — e me trouxe até um campo ainda jovem chamado psicologia neuroafirmativa. Não cheguei até aqui pela teoria. Cheguei pela vida.

O que compartilho aqui nasceu de 35 anos acompanhando pessoas cujo funcionamento neuropsicológico foi invisibilizado, mal compreendido, tratado como um transtorno que exige correção, ou como falha pessoal diante de um pretenso modelo de normalidade — em escolas, clínicas, famílias. De 30 anos de prática clínica, de décadas de maternidade atípica com três filhos ND — e de anos sendo meu próprio laboratório. Testando, errando, encontrando o que funciona. Não em geral. Para cada pessoa específica.

Aqui não há fórmulas. Há escuta.

Você pode chegar devagar. Não há pressa.

Scheilla Soares — psicóloga e neuropsicóloga CRP 12/01849
Escutas e Travessias — Psicologia Neuroafirmativa

Carta do Mar — Para quem chega

"As águas se abrem para quem já chorou nelas. E você chorou o bastante para que o mar a reconheça pelo gosto. O mar não engole quem aprendeu a respirar fundo."

Por onde começar

Você já chamou de estresse algo que o seu corpo estava dizendo há muito mais tempo?

Nem toda travessia começa com um diagnóstico. Às vezes começa com uma sensação difícil de nomear — cansaço que não passa, dificuldade de fazer o que parece simples para os outros, um corpo que se sobrecarrega sem aviso.

Aqui você não encontra testes para descobrir o que você tem. Você encontra caminhos para compreender como você funciona.

Enseada

Como o seu sistema nervoso sente o mundo

Um mapeamento de sobrecarga sensorial — não um diagnóstico

Para quem sente mais — mais som, mais luz, mais cansaço. E não sabe bem por quê.

12 perguntas·~6 min
Correnteza

Como você funciona no cotidiano

Um mapeamento prático — atenção, tempo, organização e energia

Para quem começa e não termina, perde o tempo, trava antes de começar.

12 perguntas·~6 min
Cais

O que você está sustentando

Um mapa de carga e cuidado — sem diagnóstico, sem julgamento

Para quem sustenta mais do que consegue — e nem sempre sabe o nome disso.

12 perguntas·~6 min

Não são testes. São formas de se escutar.

Aprofundamentos — instrumentos validados

CAT-Q — Questionário de Camuflagem Autística

Uma ferramenta de autoconhecimento sobre mascaramento e adaptação social

25 perguntas · ~13 min

ASRS v1.1 — Escala de Autoavaliação de TDAH no Adulto

Uma ferramenta de autoconhecimento sobre atenção, impulsividade e funcionamento executivo

6 perguntas · ~3 min

Estes instrumentos são ferramentas de autoconhecimento — não substituem avaliação clínica. Os resultados não são laudos nem diagnósticos.

A Enseada

Autocuidado e respiro

"Às vezes, cuidar de si é apenas aprender a respirar entre as tarefas."

A Enseada é para quem tem um sistema nervoso que sente tudo mais — mais alto, mais rápido, mais forte. Para quem vive com atenção que oscila, corpo que não desacelera, ou mente que não para mesmo quando o resto já foi dormir. E que aprendeu, ao longo da vida, a tratar tudo isso como falha. Aqui não é falha. É o ponto de partida.

Enseada serena com água turquesa e vegetação tropical

O que existe aqui nasceu da vida real — de um período em que precisei parar de verdade e descobrir, por mim mesma, formas de autocuidado que coubessem no caos. Sem manual. Testando cada recurso no próprio corpo, errando e ajustando.

Aprendi que o que vale para quem tem o sistema nervoso mais sensível também vale para qualquer pessoa sobrecarregada, acelerada, exausta. Vivemos, como descreve Byung-Chul Han, numa sociedade do cansaço — e o cuidado verdadeiro não depende de condições ideais. Ele nasce de pequenos gestos que cabem na vida que temos.

"Você também merece ser cuidado."

Abaixo, materiais gratuitos inspirados nesse caminho — e, para quem quiser ir mais fundo, uma jornada individualizada.

Aprendendo a parar

porque parar é, hoje, um ato de coragem.

Este material oferece práticas simples e eficazes para interromper o fluxo automático das tarefas e redescobrir o espaço entre um compromisso e outro.

Parar não é desistir: é abrir espaço para existir com consciência.

Escutando o corpo

o corpo fala, mesmo quando a mente insiste em seguir.

Este material reúne exercícios de reconexão sensorial baseados em estudos sobre sobrecarga e autorregulação.

O corpo sinaliza antes do colapso. Este material é para aprender a reconhecer esses sinais — antes de chegar no limite.

Cultivando presença

reconectar-se é lembrar-se de si.

Este material propõe rituais simbólicos e gestos de autocuidado que integram corpo, afeto e espiritualidade cotidiana.

Presença é o que fica quando você para de se adaptar por uns minutos.

Em breve

novos materiais chegando.

Acompanhamento individualizado

Travessia da Enseada

Para quem está cansado de se adaptar sem saber ao quê

Existe um cansaço que não passa com descanso. Uma dispersão que não cede com força de vontade. Uma irritação sem nome claro.

Muitas vezes, o que parece psicológico é físico. O que parece falta de disciplina é sobrecarga sensorial não reconhecida.

A Travessia da Enseada começa pelo corpo — mapeando o que o sobrecarrega, o que o restaura e como ele funciona. O resultado é um documento personalizado: o mapa do seu funcionamento sensorial. Não um protocolo genérico. O seu mapa.

Três sessões. Três semanas.

1ª sessão

Escuta

Uma conversa sobre seu ambiente, seus ciclos de energia, seus gatilhos sensoriais e o que já tentou e não funcionou.

2ª sessão

Refinamento

Você recebe o rascunho do seu mapa e discutimos juntos — ajustando, aprofundando, calibrando para a sua realidade.

3ª sessão

Devolutiva

Entrega do mapa finalizado e dos recursos — com orientação de como usar cada um no dia a dia.

Os cards podem ser enviados físicos — plastificados, com seu nome, para imprimir e levar com você.

Este processo pode ser retomado sempre que a vida mudar. Porque o corpo muda, as circunstâncias mudam — e o mapa pode ser atualizado.

Carta do Mar — Para quem chega

"As águas se abrem para quem já chorou nelas. E você chorou o bastante para que o mar a reconheça pelo gosto. O mar não engole quem aprendeu a respirar fundo."

Scheilla Soares — psicóloga e neuropsicóloga CRP 12/01849
Escutas e Travessias — Psicologia Neuroafirmativa

O Espelho-d'Água

Neurodiversidade e reconhecimento

"Nem todo labirinto é prisão — alguns são apenas formas diferentes de pensar."

Durante muitos anos, aceitei calada alguns rótulos: esquisita, nerd, antipática, estranha. Não porque concordava — mas porque não tinha outro vocabulário para o que sentia. Mais tarde aprendi a performar. A observar como as pessoas ao redor faziam as coisas e a imitar. A guardar o que eu realmente sentia para não confirmar mais um rótulo.

Essa performance tem nome: mascaramento. É o esforço invisível de caber num molde que nunca foi feito para você. Custa caro — em energia, em autenticidade, em saúde. E o preço costuma aparecer décadas depois, quando o corpo finalmente diz que não aguenta mais.

A neurodiversidade não nasceu de pessoas bem-intencionadas que decidiram ser mais gentis com quem é diferente. Nasceu de uma luta política. De pessoas neurodivergentes que recusaram ser reduzidas a diagnósticos, que organizaram movimentos de autodefesa e que disseram — com a clareza de quem sabe o que é ser patologizado — que diferença não é defeito. Laura Isonck chegou a satirizar a "síndrome neurotípica" para mostrar que o problema do enquadramento está no olho de quem olha, não na pessoa observada.

Os diagnósticos são ferramentas úteis — para médicos, para sistemas, para quem precisa de um código que abra uma porta. Mas acreditar que a diversidade humana pode ser inteiramente encaixada no CID-10 — com seus cem capítulos, cada um subdividido até o .9, que significa "não especificado" — é otimismo excessivo. O .9 é a confissão embutida no próprio sistema: quando a pessoa não coube em nenhuma das subdivisões anteriores, existe uma gaveta. O funcionamento de uma pessoa é sempre maior do que o nome que recebe.

Quando me reconheci como autista, algo mudou — não apenas em como me vejo, mas em como escuto. Passei a olhar o funcionamento de cada pessoa de outro lugar: de dentro. E foi então que encontrei autoras que deram nome ao que eu já vivia.

Steph Jones, Devon Price, Jenara Nerenberg — e tantas outras pessoas autistas que vêm reconstruindo o olhar sobre o autismo em adultos. Durante muito tempo, os manuais e critérios da psicologia foram escritos a partir de um olhar masculino e neurotípico. Por isso, tantas mulheres cresceram mascarando, tentando caber em moldes que nunca foram feitos para elas. Até que o espelho se acalma — e o reflexo, enfim, se revela nítido.

O modelo social da deficiência orienta minha prática — mas também conheço suas críticas, trazidas por autoras como Eva Kittay e discutidas pela própria Judy Singer, que cunhou o termo "neurodiversidade": há pessoas que precisam de suporte substancial, e reduzir tudo a uma questão de ambiente é insuficiente. O que me ancora é a ideia da dupla empatia — de Damian Milton — que reconhece que as dificuldades de comunicação entre ND e NT são bidirecionais. Não há um lado certo e um errado. Há formas diferentes de existir tentando se encontrar.

A minha posição é esta: não estou aqui para adaptar você ao mundo. Estou aqui para ajudá-la a compreender como você funciona — e a encontrar o que sustenta, o que sobrecarrega, e o que pode ser diferente.

O Espelho-d'Água nasce desse encontro entre teoria e vida. Não é sobre consertar. É sobre compreender e honrar.

Os materiais abaixo acompanham três momentos que aparecem com frequência nessa travessia. Você não precisa começar pelo primeiro — entre pelo que fizer mais sentido agora.

Reconhecimento tardio

Descobrindo-se neurodivergente na vida adulta

Mascaramento

Compreendendo o custo de esconder quem somos

Depois do diagnóstico

O diagnóstico chegou. E agora? Um material sobre o que acontece depois — o luto, o alívio, a reorganização e o que se torna possível quando você finalmente tem um nome para o que vive.

Se o que você leu aqui fez sentido — se algo nessas palavras descreveu o que você vive mas nunca soube nomear — o próximo passo pode ser compreender como o seu funcionamento se organiza.

Não é um processo que depende de diagnóstico fechado. É uma escuta. Um mapeamento. Uma devolutiva em linguagem que faz sentido para a sua vida, não para um relatório técnico.

Isso é o que a Correnteza oferece.

Conheça a Correnteza →

Carta do Mar — Para quem atravessa

"A travessia é, também, um destino. Quando não conseguir ver o caminho, olhe para dentro: a bússola vibra no mesmo ritmo das marés."

Scheilla Soares — psicóloga e neuropsicóloga CRP 12/01849
Escutas e Travessias — Psicologia Neuroafirmativa

As Marés

TDAH em adultos — ritmo, funcionamento e reconhecimento

"O mar não pergunta por que a maré sobe ou desce — apenas acompanha o ritmo que lhe é próprio."

As Marés é o espaço do site dedicado ao TDAH em adultos — especialmente para quem chegou ao diagnóstico tarde, ou ainda está chegando.

O TDAH não é falta de atenção. É um sistema nervoso que funciona em maré — com fluxos de hiperfoco, recuos de paralisia, intensidades que sobem e descem com uma lógica própria. Um ritmo que, quando não reconhecido, parece desordem. Quando reconhecido, revela padrão.

A maioria dos materiais sobre TDAH ainda parte de um olhar construído para crianças — e para um perfil específico de criança. Adultos ficam de fora. Mulheres ficam de fora. Pessoas que aprenderam a mascarar durante décadas ficam de fora.

Este espaço parte de outra premissa: funcionamento diferente não é funcionamento errado. O que você construiu para sobreviver sem mapa — a organização compensatória, o esforço invisível, a exaustão que ninguém via — foi inteligência. Foi adaptação. Foi real.

O que esses materiais oferecem não é uma lista de como se tornar mais produtivo. É uma escuta do que já existe — e uma reorganização que parte do que você de fato é, não de quem o sistema esperava que você fosse.

"A maré não erra. Ela obedece ao ritmo que lhe é natural."

Os materiais aqui foram escritos para quem reconhece esse ritmo em si — e para quem ainda está aprendendo a confiar nele.

TDAH tardio em adultos

Crescer sem saber o porquê de tudo ser tão diferente — e o que muda quando finalmente há um nome.

Hiperfoco e disregulação

O mesmo sistema que gera brilho e profundidade também cansa e sobrecarrega — entender essa dualidade muda tudo.

TDAH, gênero e diagnóstico

Por que tantas mulheres chegam ao diagnóstico na vida adulta — e o que os critérios clássicos deixaram de fora.

Se ao ler isso algo ficou mais nítido — se você se reconheceu em algum desses ritmos — o próximo passo pode ser entender como o seu funcionamento se organiza de verdade.

Não é um processo que depende de diagnóstico fechado. É uma escuta. Um mapeamento. Uma devolutiva que faz sentido para a sua vida — não para um relatório técnico.

Isso é o que a Correnteza oferece.

Conheça a Correnteza →

Carta do Mar — Para quem segue o próprio ritmo

"A maré não pede desculpas por subir. Ela simplesmente sabe quando é hora."

Scheilla Soares — psicóloga e neuropsicóloga CRP 12/01849
Escutas e Travessias — Psicologia Neuroafirmativa

Correnteza

Do diagnóstico ao funcionamento real

"Há caminhos que só se revelam quando paramos de lutar contra a própria maré."

Existe uma pergunta que ouço com frequência. Vem de pessoas que chegam com um diagnóstico na mão — TDAH, autismo, os dois — e que já passaram por processos que resultaram num laudo e em orientações gerais. A pergunta é: "e agora?"

Essa pergunta me move.

O modelo convencional entrega um diagnóstico. Às vezes uma bateria de testes, um relatório técnico e recomendações como "usar agenda", "dividir tarefas em etapas", "buscar terapia". A pessoa sai sabendo o nome do que tem — mas sem saber o que fazer com aquilo na vida dela especificamente. Vai buscar planners, quadros de rotina, aplicativos. O que funciona para outros. E quase sempre não funciona.

Isso não é falha da pessoa. É falha do modelo.

E não depende de ter um diagnóstico fechado. O que orienta o processo não é um código — é a sua experiência, como ela se apresenta na vida que você tem. Atenção que oscila, tempo que escapa, emoções que chegam antes que a mente processe, corpo que não regula sozinho: esses padrões existem independente de qualquer laudo. E é a partir deles que o trabalho começa.

O que aprendi em 35 anos na Educação Especial — e que nunca mais consegui desaprender — é que não existe uma estratégia para o TDAH. Existe a estratégia que funciona para aquela pessoa, com aquele perfil de atenção, com aquela história, naquele contexto. O mesmo vale para o autismo. O mesmo vale para qualquer funcionamento neurodivergente.

A Correnteza nasce dessa compreensão.

O processo tem dois tempos. O primeiro é a Travessia Inicial — um mapeamento do funcionamento da pessoa como um todo. Não depende de ter diagnóstico fechado. O que importa é entender onde estão os maiores focos de dificuldade: atenção, memória, gestão do tempo, regulação emocional, sobrecarga sensorial, relações. Onde o calo aperta. O resultado não é um laudo — é uma bússola.

A partir desse mapeamento surgem os Aprofundamentos Temáticos — trilhas de trabalho focadas na área que causa mais sofrimento. Podem ser uma, duas ou mais, na prioridade que emergiu da travessia inicial. Cada trilha tem ferramentas e estratégias construídas para aquele funcionamento específico — não para o TDAH em geral. Clique em cada trilha para saber mais.

Modalidades

Etapa 1·obrigatória

Travessia Inicial

O ponto de entrada do processo. Inclui entrevistas, questionários e uma devolutiva personalizada que mapeia como você funciona — onde estão suas maiores dificuldades e onde estão seus recursos. Não depende de diagnóstico fechado: o que importa é compreender aquele funcionamento específico, naquele momento. É a bússola que define os próximos passos.

A travessia começa com perguntas, mas termina em reconhecimento.

Etapa 2·a partir da travessia inicial

Aprofundamentos Temáticos

A continuação natural da travessia inicial. A partir do mapeamento, escolhemos juntos por onde aprofundar — a área que causa mais sofrimento, onde o calo aperta. Cada trilha tem ferramentas, estratégias e práticas construídas para aquele funcionamento específico. Podem ser seguidas uma de cada vez ou em conjunto, no ritmo que faz sentido para cada pessoa.

Travessia da Sensação e Sobrecarga — regulação sensorial.

Travessia da Atenção e Memória — o foco como campo móvel.

Travessia do Tempo e Ritmo — gestão e ritmo.

Travessia da Previsibilidade e Rotina — estrutura e segurança.

Travessia das Relações e Comunicação — comunicação e pertencimento.

Travessia das Emoções e Impulsividade — autorregulação.

A cada travessia, o mar ensina que compreender é, também, continuar.

Cada trilha inclui práticas, rituais de cuidado e materiais personalizados — guias, diários e kits digitais — criados a partir da escuta e da história de vida de cada pessoa.

"A cada travessia, o mar ensina que compreender é, também, continuar."

Quando você está pronto para começar, o processo inteiro parte de um único passo: a Travessia Inicial.

Uma conversa. Um mapeamento. Uma bússola — feita especificamente para você.

Como funciona a Travessia Inicial?

É uma sessão de escuta — você chega com o que está pesando e a gente olha juntos. Sem roteiro fixo, sem ficha a preencher.

Acontece online?

Sim, por videochamada. Você só precisa de um lugar tranquilo e conexão.

Preciso ter diagnóstico para agendar?

Não. A Travessia Inicial é para qualquer pessoa que sente que algo não encaixa — com ou sem nome para isso.

Scheilla Soares — psicóloga e neuropsicóloga CRP 12/01849
Escutas e Travessias — Psicologia Neuroafirmativa

O Cais

Para quem cuida — e nunca aparece como caso

Carta do Mar — Para quem sustenta

"Não é preciso ser forte o tempo todo. Deixe que eu lembre você de como é ser leve. As marés não pedem desculpas por mudar — e você também não precisa."

Você pode ser mãe de um filho autista. Ou de uma criança com epilepsia que nunca dorme a noite inteira. Pode ser a filha que — sem que ninguém tenha perguntado — virou a responsável pelos pais idosos. Pode ter chegado aqui com um diagnóstico na mão, ou com anos de cuidado sem nome nenhum. O que traz você até aqui não é um código. É o peso de sustentar algo que o mundo insiste em não ver.

Todo sistema que pretensamente ajuda — a escola, o hospital, o ambulatório, a clínica — foi montado em torno de quem recebe o cuidado. Você existe como recurso. Como extensão do caso. Quando alguém pergunta como você está, geralmente é para saber se você está conseguindo cuidar bem do outro. Quando o outro falece ou já não precisa mais do sistema, você simplesmente desaparece dos registros — sem encaminhamento, sem suporte, sem nada. Você passou por vários consultórios. Em todos eles, o caso era outro. Aqui, o caso é você.

Ninguém nasce mãe atípica. Nem cuidadora. Nascemos mulheres — e em algum momento a vida impõe uma condição que passa a ser a identidade inteira. A mulher desaparece. Fica a função. E o mundo aceita isso com naturalidade, como se fosse esperado, como se cuidar fosse apenas o que mulheres fazem — e não um trabalho real, com custo real, que transforma o corpo e o tempo de quem o faz.

Antes de ser mãe atípica, eu era educadora especial e psicóloga. E também acreditei, por um tempo, que as teorias que estudamos na academia nos tornam mais sábios do que as mães que vivem aquilo. A psicologia carrega um viés de gênero muito bem escondido nas suas teorias — o hábito de responsabilizar mães e famílias por tudo o que de ruim acontece na vida de qualquer ser humano. O conceito de família disfuncional pode ter saído de moda, mas o discurso permanece vivo. Não é por acaso que existem tantos cursos de parentalidade — como se as mães precisassem ser ensinadas a amar e cuidar.

Quando a maternidade atípica se tornou inquestionável na minha vida, eu já tinha mais de dez anos de experiência na área. E comecei a ouvir — inclusive de colegas psicólogos — que agora eu era mãe, e que portanto não poderia mais ser considerada isenta. De um dia para o outro, quem eu era profissionalmente deixou de existir. Virei mãe atípica — e, na visão deles, só isso. Conheci de perto o lugar da invisibilidade, do silenciamento, da deslegitimação de tudo o que eu sabia.

Foi nos grupos de mães atípicas que eu encontrei os melhores caminhos, os melhores livros, os melhores teóricos. Aprendi que nada é mais potente do que uma mãe nerd, com insônia e um computador na mão. Certa vez, meu filho era estudo de caso em uma universidade. Numa consulta de acompanhamento, mencionei algo ao médico responsável. Ele me olhou e disse: "Infelizmente não sabemos por que isso acontece no autismo." Achei que estava brincando. Citei a pesquisa — data, autores, resultados. Foi na expressão do médico que eu finalmente vi: ele não sabia. Eu sabia — porque havia lido um artigo publicado por uma equipe renomada de uma universidade americana, numa revista científica respeitável. Não era opinião de grupo: era ciência publicada. Que ele, o especialista, não conhecia. E eu, a mãe, sim.

Aprendi também — por dentro, não por teoria — que às vezes a decisão certa é sair porta afora de um consultório. Que buscar um segundo médico não é desrespeito. Que discordar de um protocolo pode ser o ato mais responsável que existe. Que sorrir e acenar quando você pensa diferente, mas precisa daquele serviço, é estratégia — não fraqueza. E que chorar em casa o que não dá para chorar na frente deles também faz parte. Você tem o direito de não concordar. De ir embora. De recomeçar em outro lugar. Ninguém vai te dizer isso no consultório. Eu digo.

O Cais é o espaço que eu precisava e não encontrei. Não há aqui receitas nem lições — há testemunho. Há o reconhecimento de que o que você carrega é real, que o cansaço tem nome, e que a mulher que existia antes da função ainda existe — mesmo que esteja difícil de encontrá-la agora.

Materiais gratuitos

Cada material corresponde a um momento da jornada de quem cuida. Você não precisa começar pelo primeiro — entre pelo que faz mais sentido agora.

Antes do Nome

Tem uma época que muitos de nós conhecemos: algo claramente não vai bem — e todo mundo tem uma teoria sobre o que está sendo feito de errado. Este material é para esse momento: antes do nome, antes do diagnóstico, quando a dúvida ainda é sobre você.

contribuição espontânea bem-vinda

O Diagnóstico

O diagnóstico trouxe alívio — e também susto, luto, raiva, perguntas sem resposta. Este material acompanha o que costuma aparecer depois que o mundo se reorganiza. Sem pressa, sem ordem certa. No ritmo que for possível.

contribuição espontânea bem-vinda

A Busca

Depois do diagnóstico, o amor vira investigação — e a investigação cansa. Este material é uma bússola para o tempo da busca: como não se perder no excesso de vozes, como ouvir profissionais sem desaparecer, como escolher menos sem sentir que está falhando.

contribuição espontânea bem-vinda

O Esgotamento

Há um cansaço que não melhora com sono. É o custo de sustentar demais por tempo demais. Este material não pede mudança — oferece permissão. Para pausar antes do colapso, para reconhecer o que o corpo está carregando, para entender que descansar não precisa ser merecido.

contribuição espontânea bem-vinda

O Recomeço

Depois de tanto cuidar, voltar a existir para além da função pode parecer estranho — ou até culpado. Este material fala de retornos pequenos, quase silenciosos. Não para recuperar quem você era antes, mas para criar espaço para quem você é agora.

contribuição espontânea bem-vinda

Travessias para Quem Cuida

Cada travessia corresponde a um momento da jornada. Você escolhe por onde começar.

1

Antes do diagnóstico

Quando o mundo começa a balançar

Para quem desconfia que algo é diferente — no filho, no pai, em quem você cuida — mas ainda não tem nome para isso. Como atravessar o medo, a dúvida e a avalanche de informações sem se perder. O que observar, onde buscar ajuda e o que ainda pode esperar.

Você leva: Guia da Busca Consciente — perguntas e caminhos para tomar decisões com mais segurança.

2

Depois do diagnóstico

E agora, o que eu faço com isso?

O diagnóstico traz alívio e perda ao mesmo tempo. Mesmo quando você aceita, o luto retorna em ciclos. Nomear sentimentos difíceis, entender o luto como movimento, reorganizar a rotina e o modo de olhar para quem você cuida — e para si mesma.

Você leva: Mapa do Luto e da Travessia — um material que acompanha as fases e os retornos do luto.

3

As relações

Sobreviver à escola, à clínica e à família

Escolas, clínicas, hospitais, familiares — cada um com opiniões e julgamentos. Como se posicionar sem precisar brigar o tempo todo. Como proteger quem você cuida e a si mesma em reuniões difíceis. Quando concordar e quando ir embora. Como manter vínculos e estabelecer limites.

Você leva: Manual de Sobrevivência — estratégias para reuniões, consultas e conversas difíceis com a família.

4

A reorganização

Quem sou eu agora?

O cuidado de alta demanda não é uma fase — ele muda o corpo, o tempo, o modo de existir. Entender que algumas demandas não vão passar e aprender a viver com elas. Reposicionar-se. Olhar para o medo e para o desejo de continuidade.

Você leva: Caderno da Reorganização — exercícios e escritas guiadas para integrar cuidado, identidade e futuro.

5

O encontro consigo mesma

Quando o mundo encolhe e você cresce por dentro

Há um ponto em que a vida de quem cuida parece se contrair. As saídas diminuem, o tempo livre desaparece. Foi nas salas de espera das terapias do meu filho que começou o meu processo de autoconhecimento. Quando o externo se estreita, o interno se amplia — se você deixar.

Você leva: Diário do Encontro — um espaço para registrar descobertas, rituais simples e pequenas alegrias do cotidiano.

Como funciona

Não é psicoterapia. Não é avaliação. É um encontro com alguém que conhece esse caminho por dentro — que viveu, estudou e ainda vive. Juntas, olhamos para o que está pesado, pensamos no que é possível e você leva algo concreto para continuar.

Encontros individuais online · 60 minutos · você escolhe a travessia pelo momento em que está

Scheilla Soares — psicóloga e neuropsicóloga CRP 12/01849
Escutas e Travessias — Psicologia Neuroafirmativa

Crianças brincando na praia com baldes coloridos

A Praia

Onde brincar, cuidar e existir são formas de aprender

A Praia é o território das infâncias e das maternidades neurodiversas — um espaço poético e sensorial onde a diferença é mar aberto. Aqui moram os materiais criados para crianças e para mães, pensados como apoios afetivos e funcionais, nascidos da experiência real de uma mãe atípica e psicóloga que acredita que o cuidado também é forma de conhecimento.

linha editorial · Crescer Diferente

Os Ajudantes Invisíveis

e-book infantil · gratuito

Uma história sobre forças que nem sempre aparecem, mas que estão sempre presentes — para crianças neurodivergentes entenderem a si mesmas, e para as outras aprenderem a conviver com ternura.

Mais títulos em breve

linha editorial · Caderno de Travessias

Guia de Micropausas em Casa

guia para mães · gratuito

Guia prático com 16 fichas de micropausas para usar no dia a dia com as crianças — pequenos gestos de cuidado que ajudam o corpo e o cérebro a se reorganizarem antes de seguir.

Mais recursos em breve

Scheilla Soares — psicóloga e neuropsicóloga CRP 12/01849
Escutas e Travessias — Psicologia Neuroafirmativa

"Cartas refletem os pensamentos e sonhos do autor.
Escreva suas próprias cartas para encontrar o caminho dos seus sonhos."

— Antonio Carlos Costardi

Cartas da Travessia

Escrevo cartas desde os doze anos. Comecei me correspondendo com amigos que conheci em encontros de jovens — alguns foram morar longe, e as cartas eram o fio que nos mantinha juntos. Tenho um amigo que guardou todas as minhas cartas até hoje. Muitas. Durante anos nos correspondemos assim, e quando a tecnologia chegou, continuamos — mas eu nunca abandonei o ritual: fundo aquarelado no Word, bordas suaves, fonte manuscrita, e uma cor diferente para cada dia. Até hoje escrevo à mão, sempre. E quando uso o computador, faço o mesmo — letra bonita, moldura, presença.

No Notion, guardo o que chamo de morning pages: cartas para mim mesma, para a vida, algumas para Deus ao estilo de Clarice Lispector. Cartas são, para mim, a forma mais honesta de pensar.

Aprendi muito sobre a força de uma carta com dois mestres que me formaram: Georg Groddeck, cujo O Livro do Isso me abriu mundos, e Antonio Carlos Costardi (in memoriam) — médico, terapeuta, professor — que por oito anos reuniu um grupo de profissionais a cada dois meses para workshops e supervisões. Tive o privilégio de fazer parte desse grupo durante todo o tempo em que ele esteve entre nós, e sua obra Cartas a uma Amiga me ensinou que escrever cartas também é uma forma de falar sobre temas complexos como as questões que envolvem o psiquismo.

Relutei em tornar públicas as minhas cartas. Mas aprendi com esses dois mestres que honrar o que recebemos é também compartilhar. Então aqui estão — fragmentos de vida, escritos com o corpo, com o cansaço e com a esperança.

Leia devagar. Talvez alguma reconheça você primeiro. Talvez outra espere por você adiante.

ago 28, 2025

Carta da Paisagem Antes da Tempestade

Nas últimas cartas, te falei sobre o recomeço, o diagnóstico e como a escrita se tornou o meu fio de sobrevivência. Hoje, quero voltar um pouco mais no tempo — para antes de tudo isso começar. Quero te contar como estava a minha vida naquele "antes", quando eu ainda acreditava que poderia sustentar aquele ritmo por muito mais tempo.

jan 1, 2025

O primeiro dia do ano

Hoje é o primeiro dia do ano. Abri a janela cedo e vi um arco-íris no céu. Algo em mim se encheu de suavidade e presença, como se a vida tivesse decidido dizer alguma coisa logo cedo — não em palavras, mas em sensação. Não foi euforia. Foi um assentamento calmo, quase um acordo silencioso entre o corpo e o dia que começava.

Há mais cartas esperando por você no Substack — enviadas diretamente no seu e-mail.

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Scheilla Soares — psicóloga e neuropsicóloga CRP 12/01849
Escutas e Travessias — Psicologia Neuroafirmativa

Sobre Scheilla Soares

Psicóloga, neuropsicóloga e mestre em Educação

Scheilla Soares - Psicóloga e Neuropsicóloga

Eu era a menina das árvores.

Aprendi a ler sozinha e cheguei na primeira série já lendo. Na escola, achava tudo muito devagar. Um dia a professora colocou carimbos nos cadernos — imagens para escrever a palavra. Um deles era uma mão. Meus colegas sofriam para escrever "mão". Eu escrevi: "Deus fez as nossas mãos com muito amor." Frase completa, maiúscula onde precisava, ponto final. Com seis anos.

Fui pulada para a segunda série e virei a CDF para sempre — a estranha, a que brilhava mas não se encaixava. Aos 12 anos dava aulas particulares. Aos 13, participava de um grupo de filosofia na universidade discutindo inatismo e empirismo. Lia em espanhol e francês, estudei esperanto e polonês. Briguei a vida inteira com o inglês — só cedi porque eles têm mais livros.

A biblioteca sempre foi o meu oásis. As freiras do jardim de infância me mandavam para lá quando eu incomodava. Elas chamavam de castigo. Eu chamava de presente.

Nunca deixei de ser essa menina. E durante muito tempo não entendi por que não cabia — nos grupos acadêmicos, nas correntes da psicologia, nos modelos da educação. Brilhava intelectualmente e tropeçava nas relações. Direta demais. Intensa demais. Estranha demais.

O TDAH eu já sabia. Tinha nome para isso há anos. O autismo foi mais difícil — não de entender, mas de assumir. Quando finalmente deixei de falar em "traços" e me perguntei "e se tudo isso tiver a ver com autismo?", algo se reorganizou por dentro. Beirando os 60 anos, estou saindo do armário neurotípico. Com orgulho.

Essa compreensão não veio só da teoria. Veio de ser mãe atípica de três filhos neurodivergentes — de viver, 24 horas por dia, o que significa criar pessoas que o mundo insiste em tentar consertar. De aprender na pele que não existe uma fórmula para o TDAH, uma estratégia para o autismo, um caminho que sirva para todos. Existe o que funciona para aquela pessoa, com aquele funcionamento, naquele momento.

E veio de 35 anos na Educação Especial, aprendendo com Lev Vygotsky — psicólogo soviético que demonstrou que o desenvolvimento humano é inseparável das relações e do contexto social — e com Reuven Feuerstein, psicólogo romeno criador da Teoria da Modificabilidade Cognitiva Estrutural e do Programa de Enriquecimento Instrumental, que provou na prática que a inteligência não é fixa: ela se transforma quando mediada com intenção. Com os dois aprendi que a pergunta certa não é por que essa pessoa não consegue? — mas o que ela aprenderia se o ambiente e as relações ao seu redor fossem adequados?

O que me orienta é uma curiosidade que nunca apago: quando algo não funciona, minha primeira pergunta nunca é "essa pessoa não tem jeito" — é "o que mais eu poderia tentar?" Testei isso em mim, na minha família, em cada pessoa que acompanhei ao longo de décadas. Somos todos laboratório — não no sentido frio da palavra, mas no sentido de que cada funcionamento é uma pergunta nova que merece uma resposta nova.

Sou psicóloga, neuropsicóloga, pedagoga e mestre em Educação. Mas o que me fez quem sou não está no currículo. Está nas árvores do quintal, nas madrugadas de mãe, nos livros lidos debaixo da carteira, em décadas sendo minha própria cobaia e testemunha.

Numa entrevista ao chegar ao Brasil, Feuerstein respondeu quando perguntado sobre o objetivo do seu trabalho: "Para que eles transcendam a nossa própria existência." Eu o conheci pessoalmente. Essa frase nunca me deixou.

O Escutas e Travessias é o lugar que eu queria ter encontrado a vida inteira. Não encontrei — então o construí. Aqui estão meus escritos, minhas ideias, as teorias que fui construindo, tudo que aprendi e ainda estou aprendendo. Não para fazer sucesso. Para que seja útil a alguém, em algum momento, de alguma forma.

Quem chega pode seguir as travessias que existem aqui — e criar as suas também.

Scheilla Soares — psicóloga e neuropsicóloga CRP 12/01849
Escutas e Travessias — Psicologia Neuroafirmativa

Farol iluminado em uma colina com caminho de pedras

Convite

A travessia é sua

Eu apenas devolvo o que a vida me ensinou ao me despir de tudo que eu achava que sabia

Chegamos ao fim desta apresentação, mas a jornada continua. Cada enseada, cada espelho, cada cais e cada praia seguem aqui — esperando por você, sem pressa, sem julgamento.

Escutas e Travessias nasceu do que aprendi quando a vida me desmontou. Foram anos de estudos, formações, terapias e buscas — mas nada me transformou tanto quanto a maternidade. Desde que meus filhos nasceram, saí do lugar de profissional e passei a ocupar o lugar de uma mãe que buscava. O diagnóstico — o meu e o dos meus dois filhos mais velhos — veio tarde. Mas a busca sempre esteve lá. Reli muitos autores e entendi que nem toda teoria é válida, mas toda busca sim. Fui aos clássicos. E isso me fez muito bem.

Foi ali que descobri que o verdadeiro conhecimento não vem apenas do estudo, mas do que somos forçados a desaprender para continuar. A neurodiversidade, que antes eu tentava compreender de fora, revelou-se como a própria linguagem da minha vida — não só como mãe de três filhos ND, mas como alguém que descobriu, tardiamente, o que sempre foi: neurodivergência — uma vida inteira vivida em modo de camuflagem.

O que compartilho aqui não é método nem doutrina — é testemunho. São fragmentos do que aprendi em cada porto, os faróis que me ajudaram a atravessar noites sem mapa, os gestos e saberes que encontrei e que, agora, devolvo ao mar.

Cada palavra, cada carta, cada material é parte dessa devolução — um modo de agradecer à vida por tudo o que, um dia, me sustentou.

Este espaço existe para que você possa voltar sempre que precisar: para respirar, reconhecer-se, descansar ou simplesmente lembrar que há outros navegando também.

Aqui, a neurodiversidade é reconhecida como riqueza, não como desvio. E o cuidado é um ato de amor que inclui a si mesmo.

Se estas palavras tocaram algo em você, se alguma carta futura puder iluminar um dia difícil — então este trabalho já cumpriu o seu propósito.

Porque a beleza não está em transformar ninguém, mas em criar espaços onde cada pessoa possa florescer, no seu próprio ritmo e à sua própria maneira.

Scheilla Soares

psicologia neuroafirmativa

Biblioteca

Materiais gratuitos para quem está em travessia

Cada material aqui nasceu de uma escuta real — de sessões, de histórias trazidas, de perguntas que aparecem sempre. Escolha o que faz sentido para o momento que você está vivendo.

Os materiais estão sendo preparados e estarão disponíveis para download em breve. Você pode explorar o acervo à vontade — os links serão ativados nos próximos dias.

Porque parar é, hoje, um ato de coragem. Práticas para interromper o fluxo automático das tarefas e redescobrir o espaço entre um compromisso e outro.

O corpo fala, mesmo quando a mente insiste em seguir. Exercícios de reconexão sensorial para quem está sobrecarregado.

Reconectar-se é lembrar-se de si. Rituais simbólicos e gestos de autocuidado que integram corpo, afeto e cotidiano.

Cartas escritas para os momentos em que o cuidado parece impossível — quando o corpo está no limite e a ideia de se cuidar parece mais um item na lista do que um gesto de amor.

Um workbook de práticas para quem quer reconectar corpo e mente — no ritmo que cabe na vida real, não na vida ideal.

Práticas curtas de regulação do sistema nervoso — para usar quando a sobrecarga bate, não depois. Sem precisar de silêncio perfeito ou hora marcada.

Quando os olhos cansam antes do corpo, e a tela dói antes do fim do dia. Um guia para identificar e manejar o cansaço visual neurológico no cotidiano.

Um guia prático para mapear o próprio perfil sensorial e criar estratégias de autocuidado que funcionem para o seu sistema nervoso — não para o padrão.

Quando a roupa raspa, a luz incomoda e o barulho não para. Estratégias estéticas de sobrevivência sensorial para o dia a dia — sem precisar explicar para ninguém.

A pausa que cabe em cinco minutos também conta. Estratégias de micropausas e fracionamento de tarefas para quando o tempo é curto e o sistema nervoso, exigente.

Há um cansaço que vai além do físico. Um material para reconhecer o esgotamento neurológico antes do colapso — e entender o que o corpo está pedindo.

Quando a casa está bagunçada, o e-mail não foi respondido e a lista nunca acaba — isso não é preguiça. É um sistema nervoso funcionando diferente. Um material para parar de se culpar.

Sobre as concessões pequenas que viram hábito, e o hábito que vira silenciamento. Para quem quer encontrar o caminho de volta para si — sem virar a vida de cabeça para baixo.

Descobrir-se neurodivergente na vida adulta é como encontrar a peça que faltava no quebra-cabeça da própria vida.

O esforço invisível de parecer 'normal' tem um custo real. Um material sobre reconhecer esse custo — e parar de se esconder.

O diagnóstico chegou. E agora? O luto, o alívio, a reorganização e o que se torna possível quando você finalmente tem um nome para o que vive.

Adaptar-se ao mundo NT tem um preço que o corpo sabe antes da mente admitir. Sobre reconhecer o custo da camuflagem — e o que acontece quando você para de se esconder.

O reconhecimento chegou tarde. E junto com ele: o luto por tudo que poderia ter sido diferente, e o alívio de finalmente ter um nome para o que você sempre foi.

Muitas mães chegam pelo diagnóstico dos filhos — e encontram a própria história no caminho. Para quem reconheceu a si mesma enquanto aprendia sobre a criança.

Exercícios práticos para reaprender a existir sem a armadura. Pequenos passos para quem passou anos sendo quem o mundo esperava — e quer encontrar quem de fato é.

O que o sistema chamou de lentidão, desatenção ou imaturidade tem outro nome. Um material sobre o que foi silenciado — e o que pode ser recuperado.

Comportamentos que pareciam escolha eram estratégia de sobrevivência. Uma leitura para quem está revisitando sua própria história com olhos novos.

Caber no mundo NT tem um preço. Este material olha para o que foi deixado para trás no esforço de parecer 'normal' — e o que pode ser retomado.

Durante anos, você foi o problema a resolver. Este material propõe outra leitura — sobre estrutura, sobre o que o mundo espera, e sobre quem você é quando para de se culpar.

Antes do diagnóstico, antes das palavras, havia uma forma de estar no mundo que era genuinamente sua. Um convite para reencontrar o que sempre existiu — agora com linguagem.

Para quem ouviu 'sensível demais', 'difícil demais', 'intenso demais'. O que foi dito sobre você — e o que a neurociência diz de volta.

Um caderno de perguntas para percorrer a própria história com cuidado. Para quem está em processo de reconhecimento e quer dar forma ao que está emergindo.

Não é depressão. Não é fraqueza. É o sistema nervoso chegando ao limite depois de muito esforço invisível. Um material para nomear o que acontece — e entender o que o corpo está pedindo.

As palavras que usamos para falar sobre neurodiversidade mudam o que é possível sentir sobre si mesmo. Um guia de bolso com a linguagem que acolhe.

Nem todo profissional que diz 'trabalho com autismo' trabalha para o autista. Um guia com perguntas para fazer, sinais de alerta e o que esperar de um atendimento que realmente acolhe.

Uma carta que você pode enviar — ou simplesmente ler — para as pessoas que te amam mas ainda não sabem como falar sobre neurodiversidade sem machucar.

Antes do diagnóstico, quando a dúvida ainda é sobre você. Para o momento em que a criança chora demais, não come, não dorme — e todo mundo tem uma teoria.

O diagnóstico do seu filho trouxe alívio — e também susto, luto, raiva, perguntas sem resposta. Este material acompanha o que costuma aparecer depois.

Depois do diagnóstico, o amor vira investigação — e a investigação cansa. Uma bússola para o tempo da busca por profissionais e respostas.

Há um cansaço que não melhora com sono. Este material não pede mudança — oferece permissão para pausar antes do colapso.

Depois de tanto cuidar, voltar a existir para além da função pode parecer estranho. Sobre retornos pequenos, quase silenciosos — para quem você é agora.

Um caderno de trabalho para mães de crianças neurodivergentes — com perguntas, reflexões e espaço para processar o que não cabe em consultório.

E-book infantil para crianças com sistema nervoso sensível — histórias e recursos que falam a língua delas.

Guia para mães — estratégias simples de regulação sensorial para o dia a dia com crianças atípicas.

Técnicas práticas de micropausas adaptadas para crianças atípicas — para usar em casa e na rotina escolar sem forçar a barra.

Quando sentar na mesa para estudar virou campo de batalha. O que está por trás do travamento — e como ajudar sem transformar isso em crise.

O laudo chegou, ou ainda está chegando. Um material para os primeiros momentos — quando tudo parece grande demais e as perguntas, maiores ainda.

Um documento que você preenche com as necessidades sensoriais e de comunicação do seu filho — para levar à escola, ao médico, aos avós. Para que ele não precise se explicar toda vez do zero.

O TDAH tem muitos rostos — e a maioria deles não foi ensinado nas escolas, clínicas ou manuais. Um material para começar a ver o que sempre esteve lá.

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